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Cultura Entrevista

O jornal impresso como objeto de afeto

Conversamos com colecionadores que guardam capas como quem guarda cartas.

JF

Por JF

Jornais dobrados sobre mesa
Edições impressas empilhadas sobre mesa de leitura. Foto: Arquivo JF.
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Há histórias que se escondem em plena luz do dia. Não porque alguém as tenha guardado a sete chaves, mas porque passamos por elas todos os dias sem perguntar como chegaram até ali. Esta é uma delas.

Durante três meses, conversamos com quem vive o assunto de perto — gente que raramente aparece nas manchetes, mas que conhece cada detalhe do que acontece nos bastidores. O retrato que surge é menos dramático do que se imagina e, justamente por isso, mais revelador.

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O que mudou, afinal

A primeira resposta é a mais simples: mudou o ritmo. Decisões que antes levavam semanas agora acontecem em uma madrugada, e o espaço para o debate público encolheu na mesma proporção.

“O papel guarda a diagramação do dia em que o mundo parecia caber numa página.”

— Colecionador ouvido pelo JF

A segunda resposta exige mais paciência. Ela passa por hábitos, por instituições que se adaptaram em silêncio e por uma audiência que, cansada do excesso de informação, aprendeu a ler apenas os títulos.

Talvez seja esse o ponto de partida: devolver tempo às histórias. Ler devagar, desconfiar do óbvio, e voltar a perguntar como as coisas chegaram até aqui.

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